A primavera está no ar, nos acenando com alguns detalhes: o canto dos pássaros está mais animado; o Sabiá, ave símbolo oficial do Brasil, começa a cantar na madrugada antes ainda do alvorecer; as flores desabrocham em maior quantidade, espalhando seu perfume pelo ar; as árvores que pareciam mortas, sem suas folhas perdidas no inverno, recomeçam a brotar. As pessoas parecem estar mais felizes e saem para passear.
O Parque Zeno Simon, no bairro Guarujá, é meu lugar preferido para caminhar e admirar o Guaíba e a natureza a sua volta. Lá tem uma árvore corticeira que chama a atenção por estar definhando.
A corticeira é uma árvore nativa do sul do Brasil e também do Uruguai, Argentina e Paraguai. Ela nasce em áreas alagadas ou próximas a cursos d’água.
A corticeira povoa minhas memórias de infância porque existiam muitas na beira do Guaíba, onde brincávamos. Agora, não existem mais em grande quantidade.
Creio que o crescimento dos bairros, casas, carros, poluição, urbanização, etc deve ser os motivos de seu desaparecimento.
E a única corticeira que vejo em minhas caminhadas primaveris parece estar indo para o mesmo fim: a morte.
Quando passo por ela, olho em volta procurando algum broto de onde poderia surgir uma nova árvore, mas não existe. Seu tronco está esburacado e partido, sugerindo que possa ter ocorrido devido à queima de alguma vela, talvez por motivo religioso. Sim, pois isto, às vezes, acontece.
Aqui vai uma sugestão para Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus): plantar várias mudas de corticeira no Parque Zeno Simon.
As pessoas que caminham pelo parque, os pássaros, os insetos, a natureza e, inclusive, eu ficariam muito felizes…
Texto: Adília Cruz da Silveira
